"Enquanto eu assopro a palma da mão para ver bolhas de sabão fugirem pelo ar,as borboletas que moram em minha alma saem todas para passear."

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

AFINIDADE

"Arthur da Távola "



A afinidade não é o mais brilhante, mas o mais sutil,
delicado e penetrante dos sentimentos.
É o mais independente.
Não importa o tempo, a ausência, os adiamentos,
as distâncias, as impossibilidades.
Quando há afinidade,
qualquer reencontro retoma a relação,
o diálogo, a conversa,
o afeto no exato ponto em que foi interrompido.
Afinidade é não haver tempo mediando a vida.
É uma vitória do adivinhado sobre o real.
Do subjetivo para o objetivo.
Do permanente sobre o passageiro.
Do básico sobre o superficial.
Ter afinidade é muito raro.
Mas quando existe
não precisa de códigos verbais para se manifestar.
Existia antes do conhecimento,
irradia durante e permanece
depois que as pessoas deixaram de estar juntas.
O que você tem dificuldade de expressar a um não afim,
sai simples e claro diante de alguém com quem você tem afinidade.
Afinidade é ficar longe pensando parecido
a respeito dos mesmos fatos que impressionam,
comovem ou mobilizam.
É ficar conversando sem trocar palavras.
É receber o que vem do outro com aceitação anterior ao entendimento.
Afinidade é sentir com, nem sentir contra,
nem sentir para, nem sentir por, nem sentir pelo.
Quanta gente ama loucamente,
mas sente contra o ser amado.
Quantos amam e sentem para o ser amado,
não para eles próprios.
Sentir com é não ter necessidade de explicar
o que está sentindo.
É olhar e perceber.
É mais calar do que falar, ou, quando é falar,
jamais explicar: apenas afirmar.
Afinidade é jamais sentir por.
Quem sente por, confunde afinidade com masoquismo.
Mas quem sente com, avalia sem se contaminar.
Compreende sem ocupar o lugar do outro.
Aceita para poder questionar.
Quem não tem afinidade, questiona por não aceitar.
Afinidade é ter perdas semelhantes e iguais esperanças.
É conversar no silêncio, tanto nas possibilidades exercidas
quanto das impossibilidade vividas.
Afinidade é retomar a relação no ponto em que parou
sem lamentar o tempo de separação.
Porque tempo e separação nunca existiram.
Foram apenas oportunidades dadas (tiradas) pela vida,
para que a maturação comum pudesse se dar.
E para que cada pessoa pudesse e possa ser,
cada vez mais a expressão do outro
sob a forma ampliada do eu individual aprimorado.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Carta a um amigo

RUBEM ALVES
Meu querido amigo: Havia tantos anos que não nos víamos! E, de repente, num estacionamento, os nossos caminhos se cruzaram. Dizem que isso se chama “coincidência” – quando encontros acontecem acidentalmente, sem ter sido preparados. De fato, foi um acidente. Não havíamos marcado hora, não havíamos marcado lugar. E, na infinita possibilidade de lugares, na infinita possibilidade de tempos, nossos tempos e nossos lugares coincidiram. E deu-se o encontro.
Dizem alguns, entre eles Jung, se não me engano, que “coincidências” não existem. Coincidências, eles dizem, só são coincidências quando vistas na face direita do tapete. Mas, se pudéssemos olhar o avesso, encontraríamos os fios do destino que fizeram aquele encontro inevitável. Os homens vêem o direito; os deuses tecem o avesso.
À coincidência segue-se sempre a surpresa: não estávamos esperando! E foi assim mesmo. Tive uma surpresa alegre ao vê-lo. Muito embora, nessa idade, os reencontros repentinos, depois de muitos anos, causem um pouquinho de susto. Quando, depois de vários anos, encontramos “aquilo” que conhecêramos como uma menina, a reação automatica é dizer: “Mas como você cresceu! Você está uma moça!” Na “nossa” idade o impulso é dizer: “Mas como você..............!” Deixei o espaço em branco de propósito, para que você o completasse. Sim, eu e você envelhecemos.
Mas o que me comoveu e convenceu de que aquela coincidência fora planejada pelos deuses foi a sua primeira frase: “Rubão, estou apavorado. A hora está chegando!” Sem explicações. Eram desnecessárias. Você sabia que eu sabia o que você estava dizendo. A morte está próxima. Chegará um dia em que teremos de nos despedir desse mundo. Isso é verdade para todos. Nunca se sabe em que esquina a morte nos aguarda. Mas, quando jovens, espantamos o pavor dizendo que ainda vai demorar muito. Na velhice esse consolo já não é possível. ( Ah! Pobres dos saberes acadêmicos que eu e você aprendemos e ensinamos! Como eles nos deixam desamparados diante do Grande Mistério!)
Tive uma grande vontade de abraçá-lo, mas fiquei com vergonha. Senti “compaixão”. “Compaixão” quer dizer “sentir com”. Eu senti o que você sentia. Já estive no seu lugar. Desde a minha infância fui aterrorizado pela morte. Tinha medo de dormir, pois temia que ela, valendo-se da minha distração, me ferisse. Mas durante o dia, em meio aos brinquedos, com meus amigos, eu me esquecia dela. Mas ela voltava com o crepúsculo. Também aos domingos, quando eu ia à igreja e lá o pastor  ensinava que aqueles que não estão bem com Deus ( o Deus dele, é claro...), seriam mandados para o inferno, por toda a eternidade. Pelo medo os clérigos católicos e protestantes conseguiam a submissão dos fracos.
Depois, por razões que desconheço, o meu terror pela morte desapareceu. O “lado de lá” já não me assusta. Pois só há duas possibilidades. Primeira: o “lado de lá” não existe. Se não existe, serei devolvido ao lugar onde estive desde o big-bang, treze bilhões de anos atrás. E não tenho a menor memória ruim desses treze bilhões de anos. Pode até ser que as mãos dos deuses que tecem o avesso me façam nascer de novo. Se isso acontecer será ótimo porque gosto muito de viver. Segunda: o “lado de lá” existe. Se existe, estou tranqüilo. Como entendem os poetas, Deus é amor, e sendo amor não posso imaginar que nada de mau esteja à minha espera.
Muito do terror da morte resulta das coisas que nos ensinaram nas igrejas, coisas que nossas mães nos ensinaram. São sempre elas, as mães, as portadoras da religiosidade, não sei bem porque. Talvez porque, tendo Deus ao seu lado, elas consigam que seus filhos as obedeçam. Como se sabe, Deus castiga as crianças que desobedecem as suas mães.  Por amor às nossas mães, continuamos a acreditar...
Mas as coisas que as religiões ensinam são invenções dos homens. Um Deus de amor iria estragar o seu universo com uma câmara de tortura chamada inferno? Pelo que sei Deus é jardineiro e se ocupa com a beleza. Como disse Bachelard, os tipos que inventaram o inferno tinham muitas vinganças a realizar. Mas o amor não se vinga. Pelo menos foi isso que aprendi de Jesus.
E o fato é que ninguém acredita. Se as pessoas religiosas acreditassem que o céu é tão bom assim elas não iriam tanto ao médico e não se esforçariam tanto para continuar vivendo. Tratariam era de morrer logo para apressar sua viagem para a colônia de férias permanente. O que elas desejam, mesmo, é continuar nesse mundo tão bonito, tão bom.
O que tenho não é medo. É uma tristeza. É-me insuportável a idéia de ser expulso de campo...
Assim, não tenho palavras de consolo. “Com que tristeza avisto o horizonte aproximado e sem recurso. Que pena a vida ser só isto!” Era o sentimento da Cecília Meireles. Os poetas dizem a verdade. E por falar em poetas, leia o poema do Alberto Caeiro que começa assim: “Num meio dia de fim de primavera...”  É lindo. Trás paz à minha alma. Trará paz à sua também. E gosto de rezar essa linda oração. E nem é preciso acreditar em Deus. Basta se alimentar das palavras. Como diz o evangelho, “a palavra é Deus”.

sábado, 27 de outubro de 2012

Dadi Nirmal Shanta


"Crie bons pensamentos de manhã. Sustente-os durante o dia. E, à noite, acabe com pensamentos negativos, entregando-os a Deus.
Quando você tem essa atenção em sua agenda diária, mudança definitivamente acontece. Tudo depende da sua atitude.
Quando há profunda realização e vontade de mudar, Deus ajuda no que você precisa. Não deixe esse desejo enfraquecer.
Seja o que você fizer, faça com amor e com o coração. Assim sua vida se tornará muito elevada."

Dadi Nirmal Shanta

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Menina da lua

(LAÉRCIO JOSÉ  PEREIRA)

Braços abertos,
Coração de abraços,
Abraços...

Boca entreaberta,
Coração de beijos,
Beijos...

Volúpia louca,
Coração alado,
Pulsar febril,
Mas efêmero.
Loucuras adolescentes,
Loucuras...

É a lua,
Clareando,
Abraçando,
Beijando,
Enlouquecendo...
Minha lira sedenta de encantamentos,
E arrebatamentos, e paixão, e poesia.

Braços abertos,
Coração de abraços,
Abraços...

Boca entreaberta,
Coração de beijos,
Beijos...

Volúpia louca,
Coração alado,
Pulsar febril,
Mas efêmero.
Loucura adolescente,
Loucura...

É a menina da lua,
Clareando,
Abraçando,
Beijando,
Enlouquecendo...
Minha lira sedenta de encantamentos,
E arrebatamentos, e paixão, e poesia.

(LAÉRCIO JOSÉ  PEREIRA)

Sabedoria Canina

Você já se imaginou agindo com a Sabedoria Canina?
A vida teria uma perspectiva muito mais amistosa.
Tente:

1. Nunca deixe passar a oportunidade de sair para um passeio.

2. Experimente a sensação do ar fresco e do vento na sua face por puro prazer.

3. Quando alguém que você ama se aproxima, corra para saudá-la(o).

4. Quando houver necessidade, pratique a obediência.

5. Deixe os outros saberem quando invadiram o seu território.

6. Sempre que puder tire uma soneca e se espreguice antes de se levantar.

7. Corra, pule e brinque diariamente.

8. Coma com gosto e entusiasmo, mas pare quando estiver satisfeito.

9. Seja sempre leal.

10. Nunca pretenda ser algo que você não é.

11. Se o que você deseja está enterrado, cave até encontrar.

12. Quando alguém estiver passando por um mau dia, fique em silêncio,

sente-se próximo e, gentilmente, tente agradá-lo.

13. Quando chamar a atenção, deixe alguém tocá-lo.

14. Evite morder quando apenas um rosnado resolver.

15. Nos dias mornos, deite-se de costas sobre a grama.

16. Nos dias quentes, beba muita água e descanse embaixo de uma árvore frondosa.

17. Quando você estiver feliz, dance e balance todo o seu corpo.

18. Não importa quantas vezes for censurado, não assuma a culpa que

não tiver e não fique amuado... corra imediatamente de volta para seus amigos.

19. Alegre-se com o simples prazer de uma caminhada.

( Autoria desconhecida)

terça-feira, 23 de outubro de 2012

O contrário do amor

 Martha Medeiros


O contrário de bonito é feio, de rico é pobre, de preto é branco, isso se aprende antes de entrar na escola. Se você fizer uma enquete entre as crianças, ouvirá também que o contrário do amor é ódio. Elas estão erradas. Faça uma enquete entre adultos e descubra a resposta certa: o contrário do amor não é ódio, é a indiferença.

O que seria preferível, que a pessoa que você ama passasse a lhe odiar, ou que lhe fosse totalmente indiferente? Que perdesse o sono imaginando maneiras de fazer você se dar mal ou que dormisse feito um anjo a noite inteira, esquecido por completo da sua existência? O ódio é também uma maneira de se estar com alguém. Já a indiferença não aceita declarações ou reclamações: você não consta mais do cadastro.

Para odiar alguém, precisamos reconhecer que esse alguém existe e que nos provoca sensações, por piores que sejam. Para odiar alguém, precisamos de um coração, ainda que frio, e raciocínio, ainda que doente. Para odiar alguém gastamos energia, neurônios e tempo. Odiar nos dá fios brancos no cabelo, rugas pela face e angústia no peito. Para odiar, necessitamos do objeto do ódio, necessitamos dele nem que seja para dedicar-lhe nosso rancor, nossa ira, nossa pouca sabedoria para entendê-lo e pouco humor para aturá-lo. O ódio, se tivesse uma cor, seria vermelho, tal qual a cor do amor.

Já para sermos indiferentes a alguém, precisamos do quê? De coisa alguma. A pessoa em questão pode saltar de bung-jump, ir para o colégio de fraque, ganhar um Oscar ou uma prisão perpétua, estamos nem aí. Não julgamos seus atos, não observamos seus modos, não testemunhamos sua existência. Ela não nos exige olhos, boca, coração, cérebro: nosso corpo ignora sua presença, e muito menos se dá conta de sua ausência. Não temos o número do telefone das pessoas para quem não ligamos. A indiferença, se tivesse uma cor, seria cor da água, cor do ar, cor de nada.

Uma criança nunca experimentou essa sensação: ou ela é muito amada, ou criticada pelo que apronta. Uma criança está sempre em uma das pontas da gangorra, adoração ou queixas, mas nunca é ignorada. Só bem mais tarde, quando necessitar de uma atenção que não seja materna ou paterna, é que descobrirá que o amor e o ódio habitam o mesmo universo, enquanto que a indiferença é um exílio no deserto.

( Crônica publicada em Abril de 1999 )

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

A MIRAGEM

"Marcus Viana"
 
Ah! Se pudéssemos contar
As voltas que a vida dá
Prá que a gente possa
Encontrar um grande amor...

É como se pudéssemos contar
Todas estrelas do céu
Os grãos de areia desse mar
Ainda assim...

Pobre coração
O dos apaixonados
Que cruzam o deserto
Em busca de um oásis em flor
Arriscando tudo por
Uma miragem
Pois sabem que há uma fonte
Oculta nas areias...

Bem aventurados
Os que dela bebem
Porque para sempre
Serão consolados...

Somente por amor
A gente põe a mão
No fogo da paixão
E deixa se queimar
Somente por amor...

Movemos terra e céus
Rasgando sete véus
Saltamos do abismo
Sem olhar prá trás
Somente por amor
E a vida se refaz...

Somente por amor
A gente põe a mão
No fogo da paixão
E deixa se queimar
Somente por amor...

Movemos terra e céus
Rasgando sete véus
Saltamos do abismo
Sem olhar prá trás
Somente por amor
A vida se refaz
E a morte não é mais
Prá nós!...

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Rubem Alves


“É isto que amamos nos outros: o lugar vazio que eles abrem para que ali cresçam as nossas fantasias. Buscamos, no outro,
não a sabedoria do conselho, mas o silêncio da escuta;
não a solidez do músculo, mas o colo que acolhe.
Como seria bom se as outras pessoas fossem vazias como o céu, e não tão cheias de palavras, de ordens, de certezas.
Só podemos amar as pessoas que se parecem com o céu,
onde podemos fazer voar nossas fantasias como se fossem pipas.”

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

ELEGÂNCIA

(MARTHA MEDEIROS)


Existe uma coisa difícil de ser ensinada e que, talvez por isso, esteja cada vez mais rara: a elegância do comportamento.
É um dom que vai muito além do uso correto dos talheres e que abrange bem mais do que dizer um simples obrigado diante de uma gentileza. É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até a hora de dormir e que se manifesta nas situações mais prosaicas,...
quando não há festa alguma nem fotógrafos por perto.
É uma elegância desobrigada. É possível detectá-la nas pessoas que elogiam mais do que criticam. Nas pessoas que escutam mais do que falam. E quando falam, passam longe da fofoca, das pequenas maldades ampliadas no boca a boca. É possível detectá-la nas pessoas que não usam um tom superior de voz ao se dirigir a frentistas, por exemplo. Nas pessoas que evitam assuntos constrangedores porque não sentem prazer em humilhar os outros.
É possível detectá-la em pessoas pontuais. Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece, é quem presenteia fora das datas festivas, é quem cumpre o que promete e, ao receber uma ligação, não recomenda à secretária que pergunte antes quem está falando e só depois manda dizer se está ou não está.
Oferecer flores é sempre elegante. É elegante não ficar espaçoso demais. É elegante você fazer algo por alguém, e este alguém jamais saber o que você teve que se arrebentar para o fazer… porém, é elegante reconhecer o esforço, a amizade e as qualidades dos outros. É elegante não mudar seu estilo apenas para se adaptar ao outro. É muito elegante não falar de dinheiro em bate-papos informais. É elegante retribuir carinho e solidariedade. É elegante o silêncio, diante de uma rejeição…Não há livro que ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo,a estar nele de uma forma não arrogante.
É elegante a gentileza. Atitudes gentis falam mais que mil imagens…
Abrir a porta para alguém é muito elegante…
Dar o lugar para alguém sentar… é muito elegante…
Sorrir, sempre é muito elegante e faz um bem danado para a alma…
Oferecer ajuda… é muito elegante…
Olhar nos olhos, ao conversar é essencialmente elegante…
Pode-se tentar capturar esta delicadeza natural pela observação, mas tentar imitá-la é improdutivo. A saída é desenvolver em si mesmo a arte de conviver, que independe de status social: se os amigos não merecem uma certa cordialidade, os desafetos é que não irão desfrutá-la.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

COM HONESTIDADE

 

(Ana Jácomo)

Imagem: Jimmy Estrela
"De vez em quando, a água, por natureza cristalina, de lindas praias existentes na região dos afetos fica turva por detritos emocionais acumulados, nossos e alheios. Às vezes, é possível percebê-los e até identificá-los na superfície. Outras, não. Só o que dá pra perceber é a transparência prejudicada. O desconforto que nem mesmo a massagem das ondas consegue desmanchar. A espontaneidade que desaprendeu a fluir. Um aperto meio doído na garganta dos instantes compartilhados.
Os tais detritos, entre outras coisas, podem ser resíduos de achismos traiçoeiros, olhares estreitados, tristezas arqueológicas, cacos de carências, bobagens fermentadas, perdões mal costurados, medos cabíveis e outros que não cabem. Podem ser também resíduos de coisas inimagináveis, criadas durante trechos de silêncio ruidoso pela falta daquele raro diálogo que não se restringe ao andar da cabeça. Aquele que tem espaço para começar no coração. Aquele que é lugar onde ninguém precisa se defender de ninguém para oferecer proteção a si mesmo. Aquele que quando não acontece às vezes se transforma em dois monólogos esquisitíssimos, feitos de equívocos e sentimentos embolados pelas mãos da confusão.
A verdade é que, embora quiséssemos, não encontramos uns com os outros ao longo da extensa orla da existência só para compartilhar banhos aprazíveis em mar de águas claras, clima ameno, riso farto, côco gelado ou uma cerveja boa. A ideia é ótima, e deve ser desfrutada tanto quanto seja possível, mas não é só essa. Os encontros, sobretudo aqueles que acontecem com potencial pra trazer à tona os seres amorosos que, por essência, já somos, evidenciam nossas belezas sem reservas, mas podem também turvar as águas de quando em quando. Uma hora costuma acontecer, coisas nossas, coisas alheias. Geralmente, chamamos isso de problema, mas um nome também adequado é oportunidade.
Quando acontece, a gente às vezes fica tão assustado que tenta se convencer por a mais b que os detritos são só do outro e as belezas são só nossas. Outras vezes, pode se afastar correndo da beira da praia e deixar o outro se virar sozinho com os resíduos todos, os dele e os nossos. Outras também, inábeis, estabanados, como costumam ser as pessoas que estão começando a aprender a amar, podemos só conseguir revolver os detritos e espalhá-los ainda mais, no afã de resgatar de qualquer jeito a transparência comprometida.
Talvez nesses momentos o gesto mais promissor e generoso possível seja, com toda a calma que soubermos, começar a sair do monólogo esquisito para dialogar a partir do coração. Talvez seja arriscar descobrirmos juntos o que está turvando a água antes que ela se torne mais poluída. E, se o sentimento compartilhado realmente for bacana e precioso para as duas vidas, quem sabe pedir uma para a outra com honestidade: “não desiste de mim.”"

Sou dessa leva de gente que...

Ana Jácomo

"Sou dessa leva de gente que tem como sina ver demais. Sentir demais. Amar quase do tamanho do amor. Traço de nascença, uma estranha dádiva que, durante temporadas, pra facilitar a própria vida, egoísmo que seja, a gente tenta disfarçar de tudo que é maneira que aprende. Mas não tem jeito, nunca terá, nascer assim é irremediável, o que é preciso é desaprender o medo.
Por tudo o que é mais sagrado nesse mundo e em quaisquer outros que não tenho certeza se existem, mas suspeito, muitas vezes eu desejei não ver tanto. Criança, quando senti isso sem saber palavras, inventei minha miopia. Não adiantou: o encurtamento dos olhos é só do lado de fora, por dentro eu vejo muito comprido. Alguns sentem vida, sentem beleza, sentem amor, com doses de conta-gotas. Eu, não: é uma chuvarada dentro de mim.
Que os sensíveis sejam também protegidos. Que sejam protegidos todos os que veem muito além das aparências. Todos os que ouvem bem pra lá de qualquer palavra. Todos os que bordam maciez no tecido áspero do cotidiano. Todos os que propagam a bondade. Todos os que amam sem coração com cerca de arame farpado. Que sejam protegidos todos os poetas de olhar e de alma, tanto faz se dizem poesia com letras, gestos, silêncios ou outro jeito de fala. Que sejam protegidos não por serem especiais, que toda vida é preciosa, mas porque são luzeiros, vez ou outra um bocadinho cansados, no escuro assustado e apertado do casulo desse mundo."
http://anajacomo.blogspot.com/
    


terça-feira, 25 de setembro de 2012

A Música e a Flor

 

" A Música e as Flores, são duas Maravilhas que encantam o Homem, que encantam a Vida!
Através da melodia e do som, do perfume e das cores, tocam no sentimento e o coração!"



 

 Texto retirado de

 http://clikwebbr.blogspot.com.br/2012/03/teclado-e-azaleia.html

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Nunca diga ...

imagem: Goutte d eau coeur

Nunca diga te amo se não te interessa.
Nunca fale sobre sentimentos se estes não existem.
Nunca toque numa vida se não pretende romper um coração.
Nunca olhe nos olhos de alguém se não quiser vê-lo se derramar em lágrimas por causa de ti.
A coisa mais cruel que alguém pode fazer é permitir que alguém se apaixone por você quando você não pretende fazer o mesmo.

Mario Quintana

CLARA GONTIJO


"Quando criança era assim, não existiam muitas escolhas.
Não se podia andar descalço nem molhar na chuva: constipava.
Menina bonita tinha o cabelo longo, e meninos cabelos curtos.
Manga com leite não podia, nem banana antes de dormir que dava pesadelos.
Papai e mamãe não gostavam, então eu não fazia. 
Como boa menina, aprendi tudo o que me ensinaram,
mas ao contrário do esperado, eu constipava ao chupar manga
e tinha pesadelos quando andava descalço.
Resolvi então cortar meus cabelos bem curtos e desaprender tudo!
Descobri um segredo precioso que não me ensinaram de pequena:
Quanto mais cresço, mais eu posso nascer."


Clara Gontijo

Rita Apoena

"Não é que o mundo seja só ruim e triste. É que as pequenas notícias não saem nos grandes jornais. Quano uma pena flutua no ar por oito segundos ou a menina abraça o seu grande amigo, nenhum jornalista escreve a respeito. Só os poetas o fazem."

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Eu me dou de presente à vida.

colho paz."[Ita P
"
  • Eu me dou de presente à vida. Ofereço-me para ela, e neste parque de diversão, eu retiro a capa, a sandália, a bolsa e caio na brincadeira de séria. Balanço-me, corro e brinco de viver. Sem desacreditar que tudo é sério, que a brincadeira é pra valer, no caminho colho flores, colho alegria, colho paz.

    [Ita Portugal]

domingo, 16 de setembro de 2012

Mike Rowland - Titania 3

HOJE É TEMPO DE SER FELIZ!

"P. Fábio de Melo"

Fotografia de Laércio José Pereira


A vida é fruto da decisão de cada momento. Talvez seja por isso, que a idéia de plantio seja tão reveladora sobre a arte de viver.

Viver é plantar. É atitude de constante semeadura, de deixar cair na terra de nossa existencia as mais diversas formas de sementes.

Cada escolha, por menor que seja, é uma forma de semente que lançamos sobre o canteiro que somos. Um dia, tudo o que agora silenciosamente plantamos, ou deixamos plantar em nós,será plantação que poderá ser vista de longe...

Para cada dia, o seu empenho. A sabedoria bíblica nos confirma isso, quando nos diz que "debaixo do céu há um tempo para cada coisa!"

Roberto Shinyashiki

"Não desista enquanto você ainda for capaz de fazer um esforço a mais. É nesse algo a mais que está a sua vitória."

sexta-feira, 20 de julho de 2012

AMIGOS SÃO FLORES


(Letícia Thompson)
Amigos são flores plantadas ao longo do nosso caminho para que saibamos encontrar primavera o ano todo.

E quando o outono chega cheio de beleza e melancolia, os amigos estão presentes nos trazendo alegria; e quando o inverno vem frio e escuro, trazendo saudades e noites longas, os amigos nos trazem calor e luz com o brilho da sua presença.

E essas flores belas perfumam nossa existência e tomamos consciência de que não estamos sozinhos.

Se amigos são flores que duram um ano ou um dia não faz diferenca, porque o importante são as marcas que deixam nas nossas vidas.

As horas compartilhadas, horas de carinho, amor e cuidado. Um amigo que se doa sem querer saber se vai ter um retorno, que se entrega pelo prazer de ver a felicidade do outro é uma flor rara que merece cuidados especiais, um ser grande e importante que nos da vontade de chorar só pelo fato de saber que ele existe.

É alguém que consegue chegar até nossa alma.. é um presente de Deus.

Se todo o mundo nos virar as costas e no meio desse mundo uma flor, nem que seja uma única flor assim nascer no nosso jardim, então toda a vida já terá valido a pena.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Sobre a Amizade (K.Gibran)


Um jovem disse, Fala-nos da Amizade. E ele respondeu, dizendo:
O vosso amigo é a resposta às vossas necessidades.
Ele é o campo que cultivais com amor e colheis com gratidão.
E é o vosso apoio e o vosso abrigo.
Pois ides até ele com fome e procurai-lo para terdes paz.
Quando o vosso amigo fala livremente, vós não receais o "não", nem retendes
o " não".
E quando ele está calado o vosso coração não deixa de ouvir o coração dele;
Pois na amizade, todos os pensamentos, todos os desejos, todas as esperanças
nascem e são partilhadas sem palavras, com alegria.
Quando vos separais de um amigo não fiqueis em dor, pois aquilo que mais
amais nele tornar-se-à mais claro com a sua ausência, tal como a montanha, para
quem a escala, é mais nítida vista da planície.
E não deixeis que haja outro propósito na amizade que não o aprofundamento
do espírito.
Pois o amor que só procura a revelação do seu próprio mistério, não é amor
mas uma rede lançada que só apanha o que não é essencial.
E deixai que o que de melhor há em vós seja para o vosso amigo.
Já que ele tem de conhecer o refluxo da vossa maré, que conheça também o
seu fluxo.
Pois para que serve o vosso amigo se só o procurais para matar o tempo?
Procurai-o também para viver.
Pois ele preencher-vos-à os desejos, mas não o vazio.
E na doçura da amizade que haja alegria e a partilha de prazeres.
Pois é nas pequenas coisas que o coração encontra a frescura da sua manhã.

domingo, 24 de junho de 2012

É PROIBIDO - PABLO NERUDA







É Proibido

É proibido chorar sem aprender,
Levantar-se um dia sem saber o que fazer
Ter medo de suas lembranças.

É proibido não rir dos problemas
Não lutar pelo que se quer,
Abandonar tudo por medo,

Não transformar sonhos em realidade.
É proibido não demonstrar amor
Fazer com que alguém pague por tuas dúvidas e mau-humor.

É proibido deixar os amigos
Não tentar compreender o que viveram juntos
Chamá-los somente quando necessita deles.
É proibido não ser você mesmo diante das pessoas,
Fingir que elas não te importam,
Ser gentil só para que se lembrem de você,
Esquecer aqueles que gostam de você.

É proibido não fazer as coisas por si mesmo,
Não crer em Deus e fazer seu destino,
Ter medo da vida e de seus compromissos,
Não viver cada dia como se fosse um último suspiro.

É proibido sentir saudades de alguém sem se alegrar,
Esquecer seus olhos, seu sorriso, só porque seus caminhos se desencontraram,
Esquecer seu passado e pagá-lo com seu presente.
É proibido não tentar compreender as pessoas,
Pensar que as vidas deles valem mais que a sua,
Não saber que cada um tem seu caminho e sua sorte.

É proibido não criar sua história,
Deixar de dar graças a Deus por sua vida,
Não ter um momento para quem necessita de você,
Não compreender que o que a vida te dá, também te tira.

É proibido não buscar a felicidade,
Não viver sua vida com uma atitude positiva,
Não pensar que podemos ser melhores,
Não sentir que sem você este mundo não seria igual.

(Pablo Neruda)
Retirado de:(  http://conexoesdeamor.blogspot.com.br/2010/03/e-proibido-pablo-neruda.html)




terça-feira, 19 de junho de 2012

BORBOLETAS





(MÁRIO QUINTANA)
Com o tempo, você vai percebendo que para ser feliz
com uma outra pessoa,
você precisa, em primeiro lugar, não precisar dela.
Percebe também que aquela pessoa que você ama
(ou acha que te ama) e que não
quer nada com você, definitivamente, não é
a pessoa da sua vida.
Você aprende a gostar de você, a cuidar de você e,
principalmente, a gostar de quem
também gosta de você.
O segredo é não correr atrás das borboletas…
É cuidar do jardim para que elas venham até você.
No final das contas, você vai achar não quem você
estava procurando, mas
quem estava procurando por você!

sexta-feira, 15 de junho de 2012



Delicadeza é um fio cor de rosa
indispensável em cada traço
do bordado da vida.
Delicadeza é uma ternura lilás,
revelada em palavras ou ações.
A.Rabelo

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Ana Jácomo

Feito flor abraçada por borboleta. Feito café da tarde com bolinho de chuva. Onde, em vez de nos orgulharmos por carregar tanto peso, a gente se orgulha por ser capaz de viver com mais leveza.

ORAÇÃO PELO PLANETA TERRA



Misericordioso Senhor!
Senhor de Toda a vida
É tempo de Misericórdia
É tempo de conversão de almas
Eu me ajoelho a Vossos pés e Peço:
Tende Misericórdia deste Planeta tão lindo, mas que está sendo destruído por seus filhos.

Misericórdia, Senhor!
Pelo Reino Mineral, que os homens, em sua ganância desenfreada, o destrói, apenas por vaidade e lucro.

Misericórdia, Senhor!
Pelo Reino Vegetal, que é devastado pelas queimadas, pela extração da madeira e modificado geneticamente.

Misericórdia, Senhor!
Pelos mares que suportam testes nucleares e outros de todas as espécies, apenas para subjugar seus filhos.

Misericórdia, Senhor!
Pelo ar que respiramos, carregado de fumaça, químicas e todo tipo de venenos.

Misericórdia, Senhor!
Pela Mãe Terra que, sufocada com bombas, escavações, lixos e maus tratos, se mantêm a Teu Serviço, incansavelmente.

Misericórdia, Senhor!
Pelos rios de águas cristalinas que se transformam em correntes sujas e fétidas.

Misericórdia, Senhor!
Pelas guerras insanas que alimentam a indústria da morte e da destruição, tudo em nome de poder e lucro.

Misericórdia, Senhor!
Pelas crianças abandonadas que nascem do ventre materno em meio ao lixo e nas calçadas.

Misericórdia, Senhor!
Pelos que são abandonados nos orfanatos e nas ruas, pela irresponsabilidade humana.

Misericórdia, Senhor!
Pelos pobres abandonados que sentem fome e frio.

Misericórdia, Senhor!
Pelos pobres de espírito que têm tudo e não têm nada.

Misericórdia, Senhor!
Pelos idosos e necessitados abandonados em asilos e nas ruas.

Misericórdia, Senhor!
Pelos que os abandonam impunemente.

Misericórdia, Senhor!
Pelos jovens que, por não conhecê-lo, sucumbiram às drogas, vícios e crimes.

Misericórdia, Senhor!
Pelos governos e governantes que fogem das responsabilidades e promessas feitas em palanques.

Misericórdia, Senhor!
Pelos seres dizimados somente por ter etnia e crenças diferentes.

Misericórdia, Senhor!
Por nossa indiferença pelos abandonados à própria sorte.

E, finalmente, Senhor!
Misericórdia!
Pelo Reino Animal, que, assim como os outros reinos, não tem como se defender da insanidade humana.
Tente misericórdia desses nossos irmãos de jornada que sem poderem defender-se sofrem diversas agruras nas mãos dos chamados humanos, na verdade desumanos.

Misericórdia, Senhor!
Pelos que estão nos matadouros amedrontados sem saber o que fizeram para merecer a morte em nome de uma alimentação balanceada.

Misericórdia, Senhor!
Pelos que estão nas granjas sem ver a luz, sem poder seguir o curso natural da vida como ciscar, cantar e aninhar seus pintinhos debaixo de suas asas.

Misericórdia, Senhor!
Pelos que são perseguidos e mortos sem misericórdia nos mares azuis que nos legaste, agora manchados de dor e sangue.

Misericórdia, Senhor!
Pelos que suportam alimentos e bebidas em seu delicado estômago (foie gras), em nome de requinte e sabor.

Misericórdia, Senhor!
Pelos que são apartados de sua mãe na tenra idade para servir de alimento aos que se dizem humanos (baby beef/carne de vitela)

Misericórdia, Senhor!
Pelo que, através do sofrimento, em circos de dor e horror, divertem aqueles que deviam protegê-los.
Misericórdia, Senhor!
Pelos que, para divertir os homens, sofrem em rodeios.

Misericórdia, Senhor!
Pelos que enriquecem os homens, há séculos, em touradas.

Misericórdia, Senhor!
Pelos animais que sofrem e morrem na farra do boi.

Misericórdia, Senhor!
Pelos que são treinados para duelar com seus próprios irmãos em rinhas, até a morte.

Misericórdia, Senhor!
Pelos que carregam o peso do mundo nas costas.

Misericórdia, Senhor!
Pelos que são mortos em laboratórios em nome de pesquisas vãs.

Misericórdia, Senhor!
Pelos que sofrem nos laboratórios de vivissecção

Misericórdia, Senhor!
Pelos que são assassinados em altares religiosos em Teu nome.

Misericórdia, Senhor!
Pelos animais caçados apenas por esporte e status.

Misericórdia, Senhor!
Pelos que sofrem pelo anzol em morte lenta.

Misericórdia, Senhor!
Pelos animais silvestres que perderam seu habitat.

Misericórdia Senhor!
Pelos animais que são escalpelados vivos em nome da moda e beleza.

Misericórdia, Senhor!
Pelos pássaros em seu canto triste em gaiolas, para deleite dos seres humanos.

Misericórdia, Senhor!
Pelos animais domésticos que:
São abandonados à própria sorte ao nascer, nas esquinas ou mesmo são mortos, afogados, apenas pelo fato de terem nascido.

Misericórdia, Senhor!
Pelos que tiveram um lar, mas que, ao envelhecer, são abandonados à própria sorte.

Misericórdia, Senhor!
Pelos doentes nas ruas e vielas.

Senhor! Em meio a tanta dor e sofrimento impostos por seus filhos, eu peço:

Tende Misericórdia, Senhor!
De nós, que nos esquecemos da Mãe Terra e de todas as maravilhas que o Senhor nos legou.

Misericórdia, Senhor!
Para conosco, que estamos aqui para amar, cuidar e sermos guardiões de Tua Criação.

Misericordioso Senhor!
Eu acredito que toda a Criação, seja humana ou não humana, representam a Tua face.

Misericórdia, Senhor!
Misericórdia, Senhor!
Misericórdia, Senhor!
Salve o Planeta (facebook)

(Letícia Thompson)

Se pudéssemos ter consciência do quanto nossa vida é efêmera, talvez pensássemos duas vezes antes de jogar fora as oportunidades que temos de ser e de fazer os outros felizes.
Muitas flores são colhidas cedo demais. Algumas, mesmo ainda em botão. Há sementes que nunca brotam e há aquelas flores que vivem a vida inteira até que, pétala por pétala, tranqüilas, vividas, se entregam ao vento.
Mas a gente não sabe adivinhar. A gente não sabe por quanto tempo estará enfeitando esse Éden e tampouco aquelas flores que foram plantadas ao nosso redor. E descuidamos. Cuidamos pouco. De nós, dos outros.
Nos entristecemos por coisas pequenas e perdemos minutos e horas preciosos. Perdemos dias, às vezes anos.
Nos calamos quando deveríamos falar; falamos demais quando deveríamos ficar em silêncio. Não damos o abraço que tanto nossa alma pede porque algo em nós impede essa aproximação. Não damos um beijo carinhoso "porque não estamos acostumados com isso" e não dizemos que gostamos porque achamos que o outro sabe automaticamente o que sentimos.
E passa a noite e chega o dia, o sol nasce e adormece e continuamos os mesmos, fechados em nós. Reclamamos do que não temos, ou achamos que não temos suficiente. Cobramos. Dos outros. Da vida. De nós mesmos. Nos consumimos.
Costumamos comparar nossas vidas com as daqueles que possuem mais que a gente. E se experimentássemos comparar com aqueles que possuem menos? Isso faria uma grande diferença!
E o tempo passa...
Passamos pela vida, não vivemos. Sobrevivemos, porque não sabemos fazer outra coisa.
Até que, inesperadamente, acordamos e olhamos pra trás. E então nos perguntamos: e agora?!
Agora, hoje, ainda é tempo de reconstruir alguma coisa, de dar o abraço amigo, de dizer uma palavra carinhosa, de agradecer pelo que temos.
Nunca se é velho demais ou jovem demais para amar, dizer uma palavra gentil ou fazer um gesto carinhoso.
Não olhe para trás. O que passou, passou. O que perdemos, perdemos.
Olhe para frente!
Ainda é tempo de apreciar as flores que estão inteiras ao nosso redor. Ainda é tempo de voltar-se para Deus e agradecer pela vida, que mesmo efêmera, ainda está em nós.

(Letícia Thompson)